Gosto de te ver ao sol, Leãozinho
de te ver entrar no mar
tua pele tua luz tua juba... CECILIA CARVALHO 3:04 AM
Quarta-feira, Junho 25, 2008
O Tamanho das Pessoas...
Os Tamanhos variam conforme o grau de envolvimento...
Uma pessoa é enorme para ti, quando fala do que leu e viveu, quando te trata com carinho e respeito, quando te olha nos olhos e sorri .
É pequena para ti quando só pensa em si mesma, quando se comporta de uma maneira pouco gentil, quando fracassa justamente no momento em que teria que demonstrar o que há de mais importante entre duas pessoas: a amizade, o carinho, o respeito, o zelo e até mesmo o amor Uma pessoa é gigante para ti quando se interessa pela tua vida, quando procura alternativas para o seu crescimento, quando sonha junto contigo. E pequena quando se desvia do assunto.
Uma pessoa é grande quando perdoa, quando compreende, quando se coloca no lugar do outro, quando age não de acordo com o que esperam dela, mas de acordo com o que espera de si mesma.
Uma pessoa é pequena quando se deixa reger por comportamentos da moda.
Uma mesma pessoa pode aparentar grandeza ou miudeza dentro de um relacionamento, pode crescer ou decrescer num espaço de poucas semanas.
Uma decepção pode diminuir o tamanho de um amor que parecia ser grande.
Uma ausência pode aumentar o tamanho de um amor que parecia ser ínfimo.
É difícil conviver com esta elasticidade: as pessoas se agigantam e se encolhem aos nossos olhos. O nosso julgamento é feito não através de centímetros e metros, mas de acções e reacções, de expectativas e frustrações.
Uma pessoa é única ao estender a mão, e ao recolhê-la inesperadamente torna-se mais uma.
O egoísmo unifica os insignificantes.
Não é a altura, nem o peso, nem os músculos que tornam uma pessoa grande... é a sua sensibilidade, sem tamanho...
Paciência para ver a tarde cair.
Paciência para degustar um cálice de vinho.
Paciência para a música e para os livros.
Paciência para escutar um amigo.
Paciência para aquilo que vale nossa dedicação.
Pra enrolação, um atalho.
O maior possível!
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) -
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-a!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul - o mesmo da minha infância -
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo, Torno-me eles e não eu. Cada meu sonho ou desejo É do que nasce e não meu. Sou minha própria paisagem; Assisto à minha passagem, Diverso, móbil e só, Não sei sentir-me onde estou.\
Por isso, alheio, vou lendo Como páginas, meu ser. O que segue não prevendo, O que passou a esquecer. Noto à margem do que li
O que julguei que senti. Releio e digo : "Fui eu?" Deus sabe, porque o escreveu.
Pegar N filas, Fotocopiar N + 1 Documentos, receber N + 6 informações erradas de órgãos públicos. É mais ou menos assim que tem sido a minha vida pra retirar o visto de estudos.
Cruz credo.
[Volto a postar quando tudo tiver resolvido]
... é tão bonito quando a gente pisa firme
Nessas linhas que estão nas palmas de nossas mãos
É tão bonito quando a gente vai à vida
Nos caminhos onde bate, bem mais forte o coração.
Sure I know you'd like to have me
Talk about my future
And a million words or so to fill you in about my past
Have I sisters or a brother
When's my birthday how's my mother
Well my dear in time I'll answer all those things you ask
But for now I'll just say I love you
Nothing more seems important somehow
And tomorrow can wait come whatever
Let me love you forever but right now
Right now
Some fine day when we go walking
We'll take time for idle talking
Sharing every feeling as we watch each other smile
I'll hold your hand you'll hold my hand
We'll say things we never had planned
Then we'll get to know each other in a little while
But for now let me say I love you
Later on there'll be time for so much more
But for now meaning now and forever
Let me kiss you my darling then once more
Once more
But for now let me say I love you
Later on I must know much more of you
But for now here and now how I love you
As you are in my arms I love you
I love you
I love you
Love isnt about ridiculous little words. Love is about grand gestures. Love is about airplanes pulling banners over stadiums, proposals on jumbotrons, giant words in skywriting. Love is about going that extra mile, even if it hurts. Letting it all hang out there. Love is about finding courage inside of you that didnt even know was there. but love ends. The truth is, you come into this world alone, and leave it the exact same way. You wanted a New York love story? There's a New York love story for you. I told you it wasn't gonna be pretty. Love is an ugly, terrible business practiced by fools. It will trample your heart and leave you bleeding on the floor. And what does it really get you in the end? Nothing but a few incredible memories that you cant ever shake.
(Little Manhattan)
Ando a procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar saída,
em vez de abrir um compasso,
Protejo-me num abraço
e gero uma despedida.
Se volto sobre o meu passo,
é já distância perdida.
Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida
Já por exausta e descrida
não me animo a um breve traço:
- saudosa do que não faço
- do que faço, arrependida.
C. Meireles
(Fim de provas! Pelo menos por uns cinco dias) CECILIA CARVALHO 11:38 PM
Sábado, Setembro 22, 2007
So bite your tongue
You're not the only one
Who's been let down
Bite your tongue
Maybe it's good for you
To hit the ground...
Nó na garganta. Triste. Pior que ter bilhões de coisas a fazer e a me preocupar é junto com isso quebrar a cara pela centésima vez com o gosto pela maldade que algumas pessoas têm. Absolutamente decepcionada. Completamente cética quanto ao menor resquício de bondade por parte das pessoas. E já tá virando mania.
Pela tentativa de mudar as obrigações, os livros hoje são definitivamente a melhor companhia que eu poderia ter.
Se alguém a mim por acaso perguntar
Sobre Cecílias, e o que elas são?
Diria em tom firme e sem vacilar:
São flores e belas, com toda razão
E de certo, devem ser encantadas
Suaves, mas temperamentais parecem
Talvez Por Deus foram perfumadas
Verdes ou Azuis, não fenecem
Do sol elas já não precisam
Crescem sozinhas com sua própria luz
Em pequenas flores se transformam
Cuja delicadeza a qualquer um seduz
Para Cecílias, esse é meu vocabulário
Escrito e versado num bom português
Certo e errado, não fui perdulário
Com doces palavras e distinta polidez
(E agora, seu zé? Obrigada pelos desaforos!) CECILIA CARVALHO 6:29 PM
Segunda-feira, Setembro 10, 2007
(suspiro)
"...A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se
da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida que aos poucos se gasta e, que gasta,
de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Lendo algo sobre borboletas e cisnes negros num presente dado por uma menina dançante, me lembrei demais da introdução desse livro que eu já tinha colocado no meu primeiro blog, e que vale sempre colocar de volta.
Existe uma lenda acerca de um pássaro que só canta uma vez na vida, com mais suavidade que qualquer outra criatura sobre a terra.
A partir do momento em que deixa o ninho, começa a procurar um espinheiro-alvar e só descansa quando o encontra. Depois, cantando entre os galhos selvagens, empala-se no acúleo mais agudo e mais comprido.
E, morrendo, sublima a própria agonia e despende um canto mais belo que o da cotovia e o do rouxinol. Um canto superlativo, cujo preço é a existência.Mas o mundo inteiro pára para ouvi-lo, e Deus sorri no céu. Porque o melhor só se adquire à custa de um grande sacrifício...
Pelo menos é o que diz a lenda.
Odeio aulas de psicopatologia psicanalítica, odeio rick e renner tocando no apartamento vizinho na maior das alturas, odeio quem coloca perfume dentro do carro, odeio vitimização, odeio homens que balançam os cabelos (isso é coisa de mulher, hein?), odeio jornal bagunçado, odeio qualquer coisa com o mais leve sabor ou odor de pepino, odeio gente que não sabe o que é preferencial ao dirigir, odeio conversar com pessoas desconhecidas muito próximas fisicamente de mim, odeio triplamente pessoas invasivas, efusivas e evasivas (três caracteres que eu detesto, rimando: brilhante!) odeio que me dêem bom dia, odeio cor de rosa, odeio receber flores, odeio gente que tá sempre feliz e gente que tá sempre triste.
E não, eu não tô mal humorada.
Talvez eu nem odeie tanto algumas coisas daí de cima, é mais uma alerta pra quem passa por aqui. Ou seja: não, vocês não vão cantar, tocar, assobiar ou mesmo citar nada do rick e renner pra mim nos próximos 3 meses, nem bagunçar jornal na minha frente, nem dirigir perigosamente, nem tentar me agradar ou querer desvendar estados emocionais completamente contra a minha vontade por todo esse tempo, okeijo? E se eu te perguntar algo, trabalhemos a nível de objetividade; talvez sim, talvez não, pode ser, vamo ver, acho que é as duas coisas, ser ou não ser eis a questão e o diabo que surgir disso, decida-se antes de falar comigo. Trato feito? E isso não é uma pergunta!
Grata.
Patience: Trying to quit. CECILIA CARVALHO 9:15 PM
Sexta-feira, Agosto 24, 2007
Mudando de template.
(Tava em tempo, né? todo mundo reclamando da cereja, hora de começar a reclamar da xícara!) CECILIA CARVALHO 7:47 PM
Quinta-feira, Agosto 09, 2007
Cabelos cor de camundongo, tais quais os meus. Olhar curto e preciso; sem meias palavras. Às vezes dava até pra perceber um sorriso contido, em meio a tanta rispidez. O menor sinal de estar recebendo um desaforo já seria um sinal de alerta: e um aceno de adeus aos cuidados com as palavras.
O inesperado - tão causador de seus maiores e mais reprováveis atos - pouco surtia efeito quanto aos seus questionamentos. Conciso, indelicado, cabeça dura mesmo.
“Aquele ali pirou desde cedo”, era o que se ouvia.
Partia do princípio que poucas eram as ocasiões nas quais a voz de direito não seria a sua: a própria presença e título justificavam todo e qualquer ato. A pequena estatura e seus dedos de criança (curtos e roliços) eram invisíveis aos olhos de quem tanto se amedrontava diante de tão repugnante presença.
Mas eu ainda acredito que era possível vislumbrar um gesto minimamente carinhoso. E o homem de lata se desmanchava - na frieza dos seus abraços e no afeto de suas palavras duras, alguma coisa, por menor que fosse, era demonstrada.
E assim, em tempos tardios, o sol se punha. O vento forte que enrijecia as pontas dos dedos fazia com que os olhos de todos lacrimejassem (E seria esse mesmo, o motivo de tal reação?), enquanto que uma reunião de narizes gelados apontavam para o horizonte. Sentada no chão frio é que ele acenava pra mim e dizia:
Sem saber o que sentir.
Tem dias que pra tudo acabo emitindo essa super-prolixa opinião. Me sinto até meio retardada demais, anti-social, metida a besta, o diabo. O que não chega a ser ruim.
Nem sei se poderia resumir o que sinto a dias introspectivos; a falta de vontade de se comunicar, ausência de clareza nas idéias... provavelmente, seria o mais justificável pra emissão desse tipo de comportamento.
Eu diria que tudo anda bastante claro: claro até demais, pra falar a verdade. E que eu sinto muita vontade de me comunicar (tá, nem tanto assim). E que as idéias continuam a mil.
Agora, quanto às sabatinas cotidianas, é melhor dar um tempo.
Não sei.
E pronto, não perguntem.
And if I should try
Would you catch me if I fall?
Um cover legal do B. Ladies. CECILIA CARVALHO 7:55 PM
Quarta-feira, Julho 25, 2007
A little bit Celine. A little bit Olive...
Escorregadia
Era segunda-feira. Era meio-dia.
[Eu estudo física. / Eu faço letras. / Tu sempre estuda aqui? / Quase sempre. / Tu tem o sorriso lindo. / ... / Tu sorri com os olhos.. / Teus olhos são muito gentis. / Tua letra parece uma fonte de computador. / Mal consigo ver a tua letra. / Quase não escrevo, só faço conta. / O que tu escuta? / As músicas de cada momento. / ...]
E aquele beijo talvez tenha sido um dos mais azuis da vida dela. Um beijo roubado. Roubado sem a mínima resistência. Um beijo que tava já lá, esperando que alguém – que ele – viesse buscá-lo. Um beijo de repente. Um beijo que não precisou de expectativa e nem de compromisso. Um beijo sincero consigo mesmo. Um beijo tão honesto com o momento, que o espaço para a culpa no depois foi absolutamente nulo. E ela ficou extasiada.
Preenchida por uma felicidade tão intensa, que o riso caía, o olho brilhava, o corpo dançava e a vida fluía, completamente escorregadia...
Inventário de bens
O que importa é que não importa que algumas pessoas (e ainda mais erradas pessoas...) te chamem pelo codinome que te dei. E eu fico feliz de eu realmente não me importar. A minha voz, a minha entonação, a minha intenção, elas não têm. Ninguém tem. Dos meus sentimentos, dos meus afetos, dos meus amores e dos meus humores que habitaram minha voz quando eu te chamava, só eu ainda posso ter. Só eu.
A. Medeiros (Ainda leio um livro dela...) CECILIA CARVALHO 9:14 PM
Sábado, Julho 21, 2007
Happy birthday to me.
These are the days that I've been missing
Give me the taste
give me the joy of summer wine
These are the days that bring new meaning
I feel the stillness of the sun
and I feel fine.
Maaaaaais que obrigada aos amigos e parentes e aos cabelereiros que me ligaram desejando parabéns.
Amo todos vocês (Exclui os cabeleireiros dessa, ok?)
Beijos e abraços e cheiros e tapinhas nas costas! :D
And baby I feel fiiiine...! CECILIA CARVALHO 12:18 PM
Sábado, Julho 14, 2007
Há ausências
De pessoas sem grandes rodeios, de palavras cruas, de conclusões infantis e com um grau de importância duvidoso. Faltam as frases mais singelas ditas das formas mais cortantes; pouco gracejo, pouco temor, menos floreios e mais consistência.
Daquilo que é profundo emanando da mera objetividade – ou da falta de foco e de duplo sentido que já se encontram a léguas de distância.
Menor quantidade de idéias filosóficas e maior quantidade de sentimentos vivos. A delicadeza consistindo na inexistência dos muitos cuidados.
Com todo o tempo do mundo pro que há de mais detestável fazer-se presente.
Dias de espreguiçar-se estirando até os dedos do pé. Olhar para os lados e ver um monte de gente bonita, capaz de tirar sorrisos nas horas mais impróprias (e quão impróprias...)
Aviso do destino de que, por mais controlável que podemos prever algumas de nossas ações, sempre haverão os atrasos dos ônibus, os amigos que surgem na estrada e aquelas palavras que saem dos nossos lábios inesperadamente, traduzindo toda a turbulência de conflitos interiores que poderiam nos corroer por meses a fio.
Uma xícara e uma prosa, uma saudade e um acalanto.
Distante do mais palpável e próxima dos (mais) queridos corações. Dias doces, idéias a mil, ações inesperadas e alguns passos para frente, para trás, pros lados, girando em torno dos (mais variados) eixos.
“E ela teimou e enfrentou o mundo, se rodopiando ao som dos bandolins...
There's still a little bit of your song in my ear
There's still a little bit of your words i long to hear
You step a little closer each day
So close that i can't see what's going on...
"Eu sou uma pessoa excitável que só entende a vida liricamente, musicalmente, em quem sentimentos são muito mais fortes que a razão. Eu estou tão sedenta para o maravilhoso que só o maravilhoso tem poder sobre mim. Qualquer coisa que eu não possa transformar em algo maravilhoso, eu deixo ir. Realidade não me impressiona. Eu só acredito em intoxicação, em êxtase, e quando a vida ordinária me algemar, eu escapo, de uma maneira ou de outra. Nenhum muro mais."
Cry me a river - Diana Krall
A quoi tu penses - Mireille Mathieu
"Fui para meu quarto, envenenada. Incessantemente, soprava o mistral, sêco e morno. Estava eu assim há dias, desde que cheguei. Destroçava meus nervos. Não pensei em nada. Sentia-me dividida, essa divisão me matava, a luta por sentir alegria, uma alegria inalcançável. A irrealidade opressiva. De novo a vida retocedendo, iludindo-me. Eu possuia o homem que amava em meus pensamentos; eu o tinha em meus braços, em meu corpo. O homem que busquei por todo o tempo, que marcou minha infância e me perseguia. Havia amado fragmentos dele em outros homens: o brilho de John, a compaixão de Allendy, as abstrações de Artaud, a força criativa e o dinamismo de Henry. E ele todo estava ali, tão belo de fisionomia e corpo, tão ardente, com uma força maior, todo unificado, sintetizado, mais brilhante, mais abstrato, com maior força e sensualidade. O amor por este homem, pelas semelhanças entre nós, pela relação de sangue, atrofiava minha alegria. E deste modo, a vida fazia comigo seu velho truque de dissolução, de perda do palpável, do normal. Soprava o vento mistral e se destruíam as formas e os sabores".
Ai, filho, sabes, sabes,
de onde é que vens?
De um lago com gaivotas
brancas e famintas.
À beira da água de inverno
ela e eu levantamos
uma fogueira rubra
gastando-nos os lábios
de beijar a nossa alma
lançando tudo ao fogo
queimando a nossa vida.
Assim chegaste ao mundo.
Mas ela para ver-me,
para te ver um dia,
atravessou mares
e eu só para abraçar
sua breve cintura
percorri toda a terra,
com guerras e montanhas,
com areias e espinhos.
Assim chegaste ao mundo.
Vens de tantos lugares,
das águas e da terra,
das neves e do fogo
de tão longe tu chegas
ao encontro de nós,
vens desse amor terrível
que nos acorrentou
que queremos saber
como és e o que nos dizes,
porque tu sabes mais
do mundo que te demos.
Como grande tormenta
sacudimos nós dois
a árvore da vida
até as mais ocultas
raízes, suas fibras,
e apareces agora
cantando na folhagem,
lá no mais alto ramo
que contigo alcançamos.
Vida tenho uma só
que se gasta com a sola do meu sapato
a cada passo pelas ruas
e não dá meia-sola.
Perdi-a já
em parte
num pôquer solitário
mas a ganhei de novo
para um jogo comum.
E neste jogo a jogo,
inteira, a cada lance,
que a vida ou se perde ou se ganha com os demais
e assim se vive
que o mais é pura perda.
Poema brasileiro
No Piauí de cada 100 crianças que nascem
78 morrem antes de completar 8 anos de idade
No Piauí
de cada 100 crianças que nascem
78 morrem antes de completar 8 anos de idade
No Piauí
de cada 100 crianças
que nascem
78 morrem
antes
de completar
8 anos de idade
antes de completar 8 anos de idade
antes de completar 8 anos de idade
antes de completar 8 anos de idade
antes de completar 8 anos de idade
-----
Sobre a poeira dos abraços
construo meu rosto
Entre a mão e o que ela fere
O pueril sopra seu fogo
Oficina impiedosa!
Minha alquimia
é real.
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As rosas que eu colho
não são essas, frementes
na iluminação da manhã;
são, se as colho, as dum jardim contrário,
nascido desses, vossos, de sua terrosa
raiz, mas crescido inverso
como a imagem nágua;
onde não chegam os pássaros
com o seu roubo, no exasperado coração da terra,
floresce, tigre, isento de odor.
F. Gullar. (Dentro da noite veloz; A fala) CECILIA CARVALHO 12:30 PM
Terça-feira, Junho 05, 2007
Palavras que ecoam...
---------------------
Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.
(...)
A certos momentos do dia recordo tudo isto e apavoro-me,
Penso em que é que me ficará desta vida aos bocados, deste auge,
Desta estrada às curvas, deste automóvel à beira da estrada, deste aviso,
Desta turbulência tranqüila de sensações desencontradas,
Desta transfusão, desta insubsistência, desta convergência iriada,
Deste desassossego no fundo de todos os cálices,
Desta angústia no fundo de todos os prazeres,
Desta saciedade antecipada na asa de todas as chávenas,
Deste jogo de cartas fastiento entre o Cabo da Boa Esperança e as Canárias.
Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.
Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.
(...)
(Passagem das horas - Álvares de Campos - Pessoa) CECILIA CARVALHO 9:43 PM
Sexta-feira, Junho 01, 2007
Trecho dedicado à noite de ontem.
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Lóri, você nem ao menos consegue sentir o que há de profunda e arriscada aventura no que nós dois tentamos? Lóri, Lóri! Nós estamos tentando a alegria! Você ao menos sente isso? E sente como nos arriscamos no perigo? Você sente que há mais segurança na dor morna? Ah Lóri, Lóri, você não consegue recuperar, mesmo vagamente, na lembrança da carne, o prazer que pelo menos no berço você deve ter sentido por estar? Por ser? Ou pelo menos outra vez na vida, não importa quando, nem por quê?
Lóri não respondeu, sabia que ele adivinhava que a resposta era negativa.
- Você prefere a dor?
Também a isso ela não respondeu, sabia que ele adivinhava que a resposta seria de novo: não.
O que é? Para aprender a alegria você precisa de todas as garantias?
Ela ficou em silêncio, porque o tom de Ulisses mudara e em vez de ardente se tornara sardônico e era para feri-la. Ele reclinou-se na cadeira um pouco cansado e disse:
- Você é das que precisam de garantia. Quer saber como eu sou para me aceitar? Vou me fazer conhecer melhor por você, disse com ironia. Olhe, tenho uma alma muito prolixa e uso poucas palavras. Sou irritável e firo facilmente. Também sou muito calmo e perdôo logo. Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre. Sou paciente mas profundamente colérico, como a maioria dos pacientes. As pessoas nunca me irritam mesmo, certamente porque eu as perdôo de antemão. Gosto muito das pessoas por egoísmo: é que elas se parecem no fundo comigo. Nunca esqueço uma ofensa, o que é uma verdade, mas como pode ser verdade, se as ofensas saem de minha cabeça como se nunca nela tivessem entrado?
Lóri começava a achar que Ulisses zombava dela. E apertou os lábios com cólera. Só que não podia se impedir de querer ouvi-lo, sua curiosidade crescia à medida que, mesmo sabendo que ele brincava, também falava a verdade.
(...)
- Bom, apesar de meu ar duro, que aliás, vem também do fato de meu nariz ser tão reto, apesar de meu ar duro, sou cheio de muito amor e é isso o que certamente me dá uma grandeza, essa grandeza que você percebe e tem medo.
Como se de súbito tivesse notado que falara sério, parou e riu para desfazer tudo o que dissera:
- Meu amor pelo mundo é assim: eu perdôo as pessoas terem um nariz mal feito ou terem lábios finos demais e serem feias ¿ todo erro dos outros e nos outros é uma oportunidade para mim de amar. Veja, não permito que ninguém mande em mim, e no entanto não me incomodo por exemplo de simplesmente seguir o programa traçado na faculdade para o ensino de cada classe.
Ulisses finalmente notou a cólera muda de Lóri. Então disse simples e sincero:
- Bem sei que estava brincando, mas não menti nenhuma vez, tudo o que eu disse é verdade. E se me confessei, não importa, sobretudo se foi a você. Aliás eu me confessaria também a outros, sem nenhum perigo: ninguém pode fazer uso do que os outros são, nem mesmo uso mental, por isso esse tipo de confissão não é jamais perigoso. Talvez agora você ainda me desconheça mais. O melhor modo de despistar é dizer a verdade, embora eu não tenha tentado nenhuma vez despistar você, Lóri, disse ele.
C. Lispector - Aprendizagem ou o livro dos prazeres. CECILIA CARVALHO 8:09 PM
Segunda-feira, Maio 14, 2007
As paredes da prisão não podem confinar aquele que ama.
Ele é de um império que não está nas coisas, mas sim no sentido
das coisas, e zomba dos outros.